Manifesto sobre a vida do artista
Marina Abramovic

1 a conduta de vida do artista:
– o artista nunca deve mentir a si próprio ou aos outros
– o artista não deve roubar idéias de outros artistas
– os artistas não devem comprometer seu próprio nome ou comprometer-se com o mercado de arte
– o artista não deve matar outros seres humanos
– os artistas não devem se transformar em ídolos
– os artistas não devem se transformar em ídolos
– os artistas não devem se transformar em ídolos

2 a relação entre o artista e sua vida amorosa:
– o artista deve evitar se apaixonar por outro artista
– o artista deve evitar se apaixonar por outro artista
– o artista deve evitar se apaixonar por outro artista

3 a relação entre o artista e o erotismo:
– o artista deve ter uma visão erótica do mundo
– o artista deve ter erotismo
– o artista deve ter erotismo
– o artista deve ter erotismo

4 a relação entre o artista e o sofrimento:
– o artista deve sofrer
– o sofrimento cria as melhores obras
– o sofrimento traz transformação
– o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito
– o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito
– o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito

5 a relação entre o artista e a depressão:
– o artista nunca deve estar deprimido
– a depressão é uma doença e deve ser curada
– a depressão não é produtiva para os artistas
– a depressão não é produtiva para os artistas
– a depressão não é produtiva para os artistas

6 a relação entre o artista e o suicídio:
– o suicídio é um crime contra a vida
– o artista não deve cometer suicídio
– o artista não deve cometer suicídio
– o artista não deve cometer suicídio

7 a relação entre o artista e a inspiração:
– os artistas devem procurar a inspiração no seu âmago
– Quanto mais se aprofundarem em seu âmago, mais universais serão
– o artista é um universo
– o artista é um universo
– o artista é um universo

8 a relação entre o artista e o autocontrole:
– o artista não deve ter autocontrole em sua vida
– o artista deve ter autocontrole total com relação à sua obra
– o artista não deve ter autocontrole em sua vida
– o artista deve ter autocontrole total com relação à sua obra

9 a relação entre o artista e a transparência:
– o artista deve doar e receber ao mesmo tempo
– transparência significa receptividade
– transparência significa doar
– transparência significa receber
– transparência significa receptividade
– transparência significa doar
– transparência significa receber
– transparência significa receptividade
– transparência significa doar
– transparência significa receber

10 a relação entre o artista e os símbolos:
– o artista cria seus próprios símbolos
– os símbolos são a língua do artista
– e a língua tem que ser traduzida
– Às vezes, é difícil encontrar a chave
– Às vezes, é difícil encontrar a chave
– Às vezes, é difícil encontrar a chave

11 a relação entre o artista e o silêncio:
– o artista deve compreender o silêncio
– o artista deve criar um espaço para que o silêncio adentre sua obra
– o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento
– o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento
– o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

12 a relação entre o artista e a solidão:
– o artista deve reservar para si longos períodos de solidão
– a solidão é extremamente importante
– Longe de casa
– Longe do ateliê
– Longe da família
– Longe dos amigos
– o artista deve passar longos períodos de tempo perto de cachoeiras
– o artista deve passar longos períodos de tempo perto de vulcões em erupção
– o artista deve passar longos períodos de tempo olhando as corredeiras dos rios
– o artista deve passar longos períodos de tempo contemplando a linha do horizonte onde o oceano e o céu se encontram
– o artista deve passar longos períodos de tempo admirando as estrelas
no céu da noite

13 a conduta do artista com relação ao trabalho:
– o artista deve evitar ir para seu ateliê todos os dias
– o artista não deve considerar seu horário de trabalho como o de funcionário de um banco
– o artista deve explorar a vida, e trabalhar apenas quando uma idéia se revela no sonho, ou durante o dia, como uma visão que irrompe como uma surpresa
– o artista não deve se repetir
– o artista não deve produzir em demasia
– o artista deve evitar poluir sua própria arte
– o artista deve evitar poluir sua própria arte
– o artista deve evitar poluir sua própria arte

14 as posses do artista:
– os monges budistas entendem que o ideal na vida é possuir nove objetos:
1 roupão para o verão
1 roupão para o inverno
1 par de sapatos
1 pequena tigela para pedir alimentos
1 tela de proteção contra insetos
1 livro de orações
1 guarda-chuva
1 colchonete para dormir
1 par de óculos se necessário
– o artista deve tomar sua própria decisão sobre os objetos pessoais que deve ter
– o artista deve, cada vez mais, ter menos
– o artista deve, cada vez mais, ter menos
– o artista deve, cada vez mais, ter menos

15 a lista de amigos do artista:
– o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito
– o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito
– o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

16 os inimigos do artista:
– os inimigos são muito importantes
– o Dalai Lama afirmou que é fácil ter compaixão pelos amigos; porém, muito mais difícil é ter compaixão pelos inimigos
– o artista deve aprender a perdoar
– o artista deve aprender a perdoar
– o artista deve aprender a perdoar

17 a morte e seus diferentes contextos:
– o artista deve ter consciência de sua mortalidade
– Para o artista, como viver é tão importante quanto como morrer
– o artista deve encontrar nos símbolos da sua obra os sinais dos diferentes contextos da morte
– o artista deve morrer conscientemente e sem medo
– o artista deve morrer conscientemente e sem medo
– o artista deve morrer conscientemente e sem medo

18 o funeral e seus diferentes contextos:
– o artista deve deixar instruções para seu próprio funeral, para que tudo seja feito segundo sua vontade
– o funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida
– o funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida
– o funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida

 

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1

Era uma vez duas camas de solteiro que resolveram virar uma cama de casal.

Acontece que existia entre elas um criado mudo.

Foi dificil e pesado, mas conseguiram tirar ele dali.

Afinal de contas, para quê serve um criado mudo?

Ficaram muito tempo como uma linda cama de casal.

Ora, bagunçada, ora, com uma bonita coberta por cima.

Acontece que ficou uma marca do criado mudo ali, no chão.

Sempre se via quando arrastavam as camas para limpar.

Um belo dia pela manhã o criado voltou para o seu lugar.

2

 

Estou em uma temporada de quatro meses na cidade de Salvador, uma residência artística.

Como sofri antes com a mudança. Ficar longe do marido, da filha, dos amigos e da cidade de Belo Horizonte, onde meu olhar já se acostumou. Sair do lugar cômodo. Escolher o que levar, o que deixar. Deixei muitas coisas que quis trazer.

Hoje é o segundo dia que estou aqui, sozinha. Aluguei uma casinha de quarto-sala-cozinha-banheiro-vistapromar. Vou começar um blog sobre meu tempo aqui, ainda não decidi o titulo…

Hoje tive meu primeiro desafio. Uma voadora.

Image

RESOLVIDO!

 

 

 

Pode?

Queridos leitores,

recebi uma ameaça de processo com o último post, “Ex que não entende que é ex”. Fico feliz, pois quem se mostra de verdade sempre sofre com essas coisas.

Mas tenho que dizer que foi o momento que o blog recebeu mais visitações!!!!!!

Então, quem leu, leu!

 

 

 

(Pode pular essa parte se quiser) Tenho que começar dizendo que tem muito tempo que não apareço. Fato. Mas senti falta de escrever (olha o tema aparecendo ai) e também minha eterna diretora de teatro, Wilma Rodrigues, que brigou comigo porque parei de escrever. 

Ontem na aula de arte política estava tão entediada com tudo, que comecei a desenhar. Antes fazia só alguns rabiscos quando estava assim, mas agora resolvi que sempre que estiver me sentindo dessa forma farei pequenos projetos sobre a falta. O tema é a falta justamente pela falta da aula, falta de novos conceitos, autores, enfim. Podia faltar aula, mas quero estar presente e sentir a falta, loucura? Começou ontem e não é que gostei!

A falta. Tem me faltado tanta coisa. Romantismo, carinho, companhia. E comecei a reparar que eu queria ser uma camisa e não uma camiseta, queria ser uma cadeira e não um banquinho. e assim vai. É quase igual, mas tem um detalhe que faz a diferença, que faz falta.

 

 

 

 

 

 

 

 

(Não reparem, mas são desenhos feitos no caderno durante a aula).

 

Se minha aula não for boa hoje farei mais desenhos.

Me pego falando e perguntando coisas para o Francesco, que se eu pensasse antes, nunca falaria.

Essas perguntas eu fiz hoje:

–Amor… se eu perdesse um perna você me amaria??

–Amor…e se eu perdesse um braço???

(Francesco depois de rir e dizer que sou engraçada, respondeu.)

– Amorzinho… você só não pode perder a cabeça.

Encerrei o assunto, claro!

Hoje preciso escrever. Antes disso, tentei aí embaixo, mas foram tentativas fracassadas. Resolvi tentar de novo. Para isso, saí, comprei cigarro e cervejas. Isso não quer dizer que sairá um texto como gostaria, mas como disse, é mais uma tentativa.

Me sinto às vezes uma boba, que inventa histórias: algumas boas, outras não. Ao menos, sinto tudo, não deixo passar. A cerveja não está muito boa, aguada e quente. Continuando. Pego-me pensando em besteiras que me afetam.Poderia deixar pra lá, acontece que sinto que não posso. Acredito nesse tal sexto sentido. Sempre me entrego demais e toda entrega não deixa de ter algum tipo de sofrimento. Amar, esperar ser amada. O maldito esperar.

(por que estou escrevendo? Estou sem inspiração. É um péssimo sinal. Certamente será uma tentativa fracassada.)

Balões pelo ar. Em um determinado momento, eles por acaso ficam de um jeito que parecem ser um só. Mas não é que bate um vento  e eles se afastam?! (Malditos sejam os ventos) E aquele período de tempo que pareciam ser um só, se transformam em uma saudade e questionamento de que se não foi apenas mais uma ilusão.

(Acendo mais um cigarro. Penso que  se estou fracassando. Continuo.)

Ventos, brisas, sopros. Ar. Apenas ar. É por isso. O ar não é visível, mas não deixo de senti-lo. Por isso, penso: ele existe sim, não é coisa da minha cabeça maluca cheia de ilusões. (Estou achando isso bonito.) ( Pausa longa de reflexão.) Ficam resquícios, aquela sensação. É como quando fiquei 4 dias dentro de um trem e depois ainda sentia aquele balanço, mesmo estando em casa. Aquela sensação de uma coisa que já esteve, mas deixou de ser. São balanços, balões pelo ar. Por instantes parece que está tudo bem, calmo. Parece que vai durar uma eternidade talvez.

(pausa para sentir a cerveja me deixando leve, leve, como um balão.) ( o tefone toca. Mais um gole.)

Vou publicar antes que eu delete.